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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

AMIGOS ANDAM PELO MESMO CAMINHO

Ao longo de nossa vida desenvolvemos diversos tipos de relacionamentos, sendo que alguns são mais significativos que outros, por isso há aqueles que são amigos  casuais, os quais cumprimentamos pelo nome e chamamos de colegas, outros são mais chegados, temos interesses em comum, até mesmo pedimos suas opiniões e chamamos de amigos. Há ainda aqueles que nascem nos momentos de angústia, dos quais buscamos consolo, valorizamos suas opiniões, andamos pelos seus conselhos  e a esse chamamos até mesmo de irmãos [Prov 17.17], pois eles estão dispostos a nos ajudar nas adversidades assim como estão dispostos a manter a amizade mesmo que tenham sido magoados, o que lhes dá liberdade para criticar e corrigir, assim como ensinar, encorajar e dar ânimo.
Deus nos ensina a amar ao nosso próximo como a nós mesmos, e assim fazendo estaremos cumprindo toda a lei de Deus [Gálatas 5:14]. O amor ao próximo nos leva às amizades mais sinceras e gratificantes que podemos cultivar e o sábio Salomão nos ensinou que “o homem que tem amigos deve mostrar-se amigável” [Prov. 18.24]. Mostrar-se amigável é mostrar-se disposto a cultivar a amizade.
O grau de influência entre os amigos é grande, portanto, os caminhos que nossos amigos trilham devem ser, verdadeiramente, os caminhos que almejamos trilhar, pois a Bíblia diz que “todo caminho do homem é reto aos seus próprios olhos” [Prov. 21.2], porém somos advertidos de que "o Senhor sonda os corações", pelo que não tenhamos inveja dos pecadores, daqueles que praticam a injustiça, mas que possamos almejar trilhar os caminhos estabelecidos por Deus [Prov. 23.17], pois nisto está a sabedoria.
Se os amigos são aqueles que caminham ao nosso lado, possuem os mesmos objetivos, compartilham os mesmos sentimentos, então as amizades que nos conduzem pelo bom caminho devem ser reavivadas constantemente. As arestas devem ser aparadas e o gozo e a alegria do companheirismo deve ser restaurado, pois amigo é aquele que estende a mão ao seu companheiro, e diz: Esforça-te [Isaías 41.6].
Amigos, andam juntos em busca da justiça, do juízo, da graça e do amor de Deus.
Cultive suas amizades como um jardineiro que zela por uma flor.
Filho meu, se aceitares as minhas palavras, e esconderes contigo os meus mandamentos, para fazeres atento à sabedoria o teu ouvido, e para inclinares o teu coração ao entendimento, e se clamares por entendimento, e por inteligência alçares a tua voz, Se como a prata a buscares e como a tesouros escondidos a procurares, então entenderás o temor do Senhor, e acharás o conhecimento de Deus. Porque o Senhor dá a sabedoria: da sua boca vem o conhecimento e o entendimento. Ele reserva a verdadeira sabedoria para os retos: escudo é para os que caminham na sinceridade. Para que guarde as veredas do juízo: e conserve o caminho dos seus santos. Então entenderás justiça, e juízo, e equidades, e todas as boas veredas. Porquanto a sabedoria entrará no teu coração, e o conhecimento será suave à tua alma. [Provérbios 2.1-10]

Pr André Luiz Gomes Schröder

domingo, 20 de setembro de 2009

O declínio da pregação contemporânea

John F. MacArthur, Jr.

Resumo, por André Luiz Gomes Schröder.
 

O artigo apresenta em seu foco inicial a influência que a televisão exerce sobre a sociedade, vez que é um veículo que se dedica ao entretenimento, as propagandas apelam às emoções e promove uma visão surrealista do mundo ao mesclar a vida real com a ilusão, resultando em uma banalização da verdade.

A partir da análise do pensamento de Neil Postman, argumenta que a televisão mutila a capacidade de pensar e reduz a aptidão para a verdadeira comunicação ao transmitir informações irrelevantes, teatral, que não desafiam a pensar e faz perder a tolerância de aprender.

Ressalta que no mesmo diapasão há um declínio da pregação, pois em nossos dias é valorizado o evangelista que exagera as emoções e traz uma pregação superficial, porém breve e estimulante, voltada para o  entretenimento e que estimula o ouvinte a um frenesi, sem se importar com o ensino, a repreensão, correção ou educação na justiça, sendo que muitos pregadores já consideram o ensino de doutrinas como algo indesejável e sem utilidade prática, sob o argumento de que  as pessoas não recordam aquilo que foi pregado. Daí, é perda de tempo ouvir  sermões demorados.

Conclui dizendo que a pregação entretenimento é uma completa acomodação a uma sociedade educada pela televisão. Revela pouca preocupação com a verdade. É contrária às escrituras e o grande desafio de um pastor contemporâneo é  alcançar pessoas que se mostram indispostas e incapazes de ouvir com atenção e raciocínio exposições da verdade divina.

Leia a íntegra do artigo em: http://www.monergismo.com/textos/pregacao/pregacao_mac.pdf

sábado, 19 de setembro de 2009

A música gospel no contexto da sociedade brasileira

  É cada vez maior o número de líderes religiosos e “conjuntos, grupos e bandas” que se dedicam à gravação de mídias com música gospel. Tal fenômeno tem influenciado a música brasileira, porém ainda de modo tímido. Em uma visão hermenêutica, e com o fim de provocar uma análise sincera, indagamos: 
A difusão da música gospel, até mesmo por rádios não evangélicas, se dá por um movimento de sincretismo e ecumenismo ou em atendimento a um apelo por uma musicalidade sem exaltação à sensualidade contida na música brasileira atual? 
A musicalidade praticada é para satisfação psicológica humana ou para louvor da divindade? 
A mercantilização das bandas gospel é reprovável ou assemelha-se à família de Asafe, o levita? 
O propósito é a criação de um nicho profissional e mercantil ou é o louvor a Deus? 
A que interessa a manutenção ou extinção de tal modelo?

André Luiz Gomes Schröder

Mitos da atualidade..


Sob a influência do cientificismo, o mito toma uma nova roupagem. Permanecem aqueles que se reportam à origem da vida ou quanto à vida após a morte, porém o mito contemporâneo que ganha mais publicidade, afasta-se desse tipo de imaginário para apresentar justificativas, soluções ou modelos a ser seguido no cotidiano. São modelos fabricados pela mídia para servirem de referenciais imaginários para os vários tipos de desejos, anseios e emoções, como os homens rodeados de mulheres nas propagandas de cerveja; os heróis imortais e invencíveis como o Rambo; ou personagens de filmes que se tornam o padrão de comportamento tanto para vestimenta como nas expressões lingüísticas. É uma busca de identidade que deságua no comsumismo. 

André Luiz Gomes Schröder

O impacto da cidade, como espaço religioso, sobre a fé cristã


O ambiente capitalista em que são construídas as novas cidades determina novos valores para os homens. Valores construídos a partir do individualismo, dada a abrangência das múltiplas relações que se tornam superficiais com a ruptura da comunhão pela impossibilidade de se estabelecer tantos relacionamentos quanto o número de pessoas que estão “próximas”, pois nas metrópoles há o alargamento das distâncias entre trabalho-moradia, casa-amizades, igreja-família e outros, o que descaracteriza a vizinhança, desfazem-se as relações primárias e espontâneas, o que desqualifica os amigos, impõem-se as relações secundárias e funcionais, o que cria os colegas e os invisíveis, afetados pela indiferença.
Na prevalência de tal multiplicidade de relacionamentos superficiais cria-se o isolacionismo, pois não há vínculo com o próximo e este se torna um objeto ambulante, dada a falta do vínculo afetivo, daí a indiferença, o narcisismo, a autosuficiência e o egoísmo.
O ambiente urbano contribui para o isolacionismo ao criar espaços cada vez mais coletivos e quando subsiste o espaço individual, é espaço de isolamento. Para atender os espaços coletivos, rapidamente são destruídos os espaços antigos, cultural e religiosamente significativos.
É intrigante a leitura que o Pe J.B Libanio faz sobre o tema em seu artigo “A igreja na cidade”, ao argumentar que :
“a destruição dos espaços tradicionais afetou diretamente a pastoral e o imaginário religioso. O nosso inconsciente é feito de sons e cheiros, de toques e gostos, de visões e sentimentos, percebidos e armazenados. E toda vez que uma tecla os provoca, brotam as experiências passadas. Ora, o inconsciente religioso forma-se, no campo e nas pequenas cidades, com os incensos das igrejas, o dobrar dos sinos, o corte majestoso da igreja paroquial, o murmúrio das preces, o arrastar-se das procissões ao som estridente das bandas, o soar dos órgãos ou harmônios, a voz decidida e preceptiva do vigário. A grande cidade tem o condão de silenciar-lhe todos esses estímulos. Mais profunda ainda se dá a mudança, ao atingir a própria lógica espacial da cidade. Quando se diz vulgarmente que o shopping assumiu o lugar da catedral não se traduz simplesmente uma percepção visual. Revela tal fato a nova lógica espacial da grande cidade que afeta intimamente o universal religioso e de valores das pessoas. Com efeito, a centralidade da igreja matriz da pequena cidade refletia a posição de destaque do Transcendente na vida das pessoas e da sua mediação histórica institucional da Igreja. O shopping desloca o Transcendente religioso para o interior das pessoas, para fora do campo visual, cercando o mercado, a mercadoria, com o esplendor e a beleza, que antes vestiam os ritos religiosos.” (Disponível em: http://www.jblibanio.com.br/modules/wfsection/article.php?articleid=221)
Em um quadro de isolamento coletivo o homem é provocado pelo instinto animal da luta pela sobrevivência, orientado por uma ideologia de sucesso, eficácia, desempenho, competitividade, excelência e qualidade total para ser o melhor, “se lixando” (lembrando a expressão do deputado Sérgio Moraes, homem público que busca o individualismo) pelo que os outros estão passando e acaba por embriagar-se em um consumismo compulsivo, consumismo que comanda os desejos do homem e ocupa o inconsciente da religiosidade. Daí a necessidade de despertar o homem para a lógica da fé que orienta o homem para uma prática cristã voltada para o amor ao próximo, que aniquila a indiferença e o individualismo, pois a lógica do evangelho é firmada no conceito comunitário e de koinonia, o que impõe à prática pastoral um discurso contrário à lógica urbana do individualismo.
André Luiz Gomes Schröder 

Cidadania do Reino e o Poder Público secular


A estreita via desta abordagem não comporta a pormenorização das temáticas da lex divina, lex natura e lex positiva.  Registramos apenas que foi a secularização do direito natural pela teoria dos valores objetivos da escolástica espanhola (Francisco de Vitória, Vazquez e Suarez) que, substituindo a vontade divina pela «natureza ou razão das coisas», deu origem a uma concepção secular do direito natural, posteriormente desenvolvida por Grotius, Pufendorf e Locke. São os preceitos da «rectae rationis» (noção explicitada logo por Guilherme de Ockam) que, desvinculados do peso metafísico e nomina-lístico, que conduzem à ideia de direitos naturais do indivíduo e à concepção de direitos humanos universais.  Por tal razão, direito inerente ao homem constitui o vínculo entre duas ordens distintas de direito: o Direito Divino e o Direito Positivo, o qual é a materialização – por meio de normas jurídicas – dos direitos fundados na própria natureza dos homens.
No âmbito do Direito Positivo, as instituições governamentais públicas adotam como formato de “cidadania” o uso, gozo e fruição dos direitos fundamentais do homem, no caso brasileiro são aqueles consolidados na Constituição Federal e que dizem respeito aos direitos de personalidade, que abarcam os direitos de estado (não raro traduzido como o próprio direito de cidadania), os direitos sobre a própria pessoa (direito à vida, à integridade moral e física, direito à privacidade), os direitos distintivos da personalidade (direito à identidade pessoal, direito à informática etc.) e muitos dos direitos de liberdade (tal qual o direito liberdade de expressão).
Para o Direito Divino, a “cidadania do Reino de Deus” é desenvolvida segundo os valores cristãos do evangelho, tendo o amor a Deus e ao próximo como norteador e isto faz do “cidadão do Reino” um paladino da paz que não aceita a violência, a criminalidade, a corrupção, a opressão e repressão armada que apenas aumente a mortandade, mas antes busca promover a igualdade social, o direito à vida, à integridade moral e física, direito à privacidade, o direito ao patrimônio e, sobretudo, o direito à liberdade, inclusive o de renúncia à cidadania celeste.
Assim, na defesa estatal dos “direitos fundamentais do homem” há uma congruência em prol dos valores defendidos pelo Reino de Deus, os quais são legítimos e desejáveis, porém não há, por parte dos entes públicos, uma defesa “oficial” e direta da “cidadania do Reino”, mas há uma defesa indireta, vez que os valores atribuídos à cidadania defendida pelo Estado nada mais é que uma transmutação dos valores da lex divina para a lex positiva, da qual o Estado é o guardião.
Se por um lado o Estado defende uma “cidadania do Reino” transmutada em “direitos fundamentais do homem”, por outro a “igreja”, por ser representante do “Reino” não pode se isolar como se fosse “guetos religiosos e políticos que aguardam a destruição do mundo”. A “igreja” é sal da Terra e luz do mundo, em outras palavras é a promotora da cidadania do Reino no dia-a-dia da sociedade.
No dizer de Júlio Zabatiero, Diante de situações de violência como a que enfrentamos em grandes cidades no Brasil, a população organizada precisa ir às ruas e dizer em alto e bom som: Precisamos nos educar, como povo de Deus e como sociedade brasileira, a viver em busca da permanente reconciliação e da paz social – paz que só se concretiza juntamente com a justiça. Chamadas e chamados por Jesus, somos cidadãs e cidadãos dos céus e também da Terra – e nela realizamos a missão, antecipando escatologicamente os céus que esperamos (Rm 8.18ss). 


André Luiz Gomes Schröder