domingo, 31 de março de 2013

A PÁSCOA DO CRISTÃO


Hoje comemoramos a Páscoa. A primeira Páscoa surgiu para marcar o fim da escravidão dos hebreus pelos egípcios [Ex 12]. As celebrações eram "sombras das coisas futuras" [Cl 2.17], ou seja, elas tipificavam aquilo que um dia tornar-se-ia a história da morte e ressurreição do Senhor Jesus, visto que a segunda Páscoa foi instituída para marcar o sacrifício de Cristo e também que todo aquele que crê que Cristo morreu em nosso lugar, está livre da condenação pelo pecado, a morte eterna. Portanto, para o cristão, Páscoa significa libertação, pois é a obra de Cristo para a nossa redenção.

Na primeira Páscoa existe um curioso detalhe. Os hebreus comemoraram a páscoa antes de saírem do Egito, sacrificando um cordeiro e colocando o seu sangue na porta da casa. Celebraram, portanto, o cumprimento da profecia antes que ela se cumprisse [Gn 15: 13,14] e se o sangue do cordeiro não fosse derramado e aspergido sob os umbrais da casa, o povo de Israel morreria como os egípcios, um povo que não temia a Deus.

Por meio da primeira Páscoa, Deus ensinou ao seu povo que alguém deveria morrer para que eles tivessem vida e libertação. Na segunda Páscoa Ele nos mostra que Cristo é o Cordeiro de Deus [Jo 1.29], o qual morreu no lugar de todo pecador que aceitar o seu sacrifício substitutivo para ser livre do pecado e ter vida eterna com Deus [cf. Jo 3.16; 8.32,36 e Mt 11.28].

Se creio que Cristo é o Cordeiro da Páscoa que teve o sangue derramado para me livrar da morte do pecado para que eu possa, na vida eterna, habitar nos céus com Deus, devo então celebrar a páscoa com profunda reverência, afinal, Cristo é o nosso cordeiro da Páscoa. Ele derramou seu sangue para me livrar da morte. A minha libertação espiritual foi comprada com o sangue de Cristo, a nossa Páscoa [1Co 5.7,8].

Olhando para a primeira Páscoa, aprendemos que devemos celebrar a glória eterna, a herança que temos em Cristo Jesus, antes mesmo de desfrutar das maravilhas celestiais, pois assim como o sacrifício do cordeiro se deu antes da saída do povo do Egito, a nossa fé e a nossa obediência devem vir antes da entrada na vida celestial, quando haverá a plena libertação, pois a libertação espiritual, pela fé e obediência, precede a libertação física.


Assim como os hebreus celebraram a páscoa e começaram uma vida livre da escravidão, celebremos a morte e ressureição de Cristo e vivamos uma nova vida livre do pecado e na plena comunhão com Deus.

Pr Andre Luiz Gomes Schroder

sábado, 30 de março de 2013

UMA PÁSCOA SEM CORDEIRO?

No primeiro dia da festa dos Pães sem Fermento, quando sacrificavam o cordeiro pascal, [...]
Enquanto comiam, Jesus tomou o pão e, abençoando-o, partiu-o e lhes deu, dizendo: Tomai; isto é o meu corpo.
E tomando um cálice, deu graças e entregou-o aos discípulos, e todos beberam dele. E disse-lhes: Isto é o meu sangue, o sangue da aliança derramado em favor de muitos.  (Mc 14.12,22-24)


Jesus havia se reunido com seus discípulos para celebrar a páscoa e naquele dia o ritual foi diferente do estabelecido pela tradição judaica.
Após Deus instituir a Páscoa quando seu povo saía do Egito, essa cerimônia passou a ser celebrada como um memorial em que os judeus recontam a libertação da escravidão do Egito, no dia em que sacrificaram um cordeiro e marcaram suas portas com seu sangue em sinal de que aquela era uma casa que abrigava os filhos de Deus. A páscoa significava a “passagem” da escravidão para a liberdade.
Durante a festa aquele que presidia a cerimônia levantava um cálice e anunciava qual o motivo da cerimônia, explicava porque o cordeiro foi morto e também porquê estavam comendo pães sem fermento.
Por muitos e muitos anos assim foi celebrada a páscoa e até hoje ainda se faz assim entre os judeus que não aceitaram a vinda do messias, mas naquela noite foi diferente. Marcos diz que enquanto comiam Jesus mudou o ritual e ensinou uma nova maneira de celebrar a páscoa.
Jesus falou a seus discípulos que o pão que eles comiam e que representava o sofrimento no Egito, agora era o pão da sua aflição, o pão que representava sua amargura na cruz. O vinho não representava mais a alegria presente na festa de celebração do fim da escravidão, mas ganhava um novo significado ao lado da alegria, significava agora o sangue de Cristo derramado para lavar os pecados e marcar aqueles que pela fé são filhos de Deus.
A mova celebração da páscoa, apenas com pão e vinho, pode ter intrigados os discípulos. Para a mente judaica era impossível aceitar uma páscoa sem o cordeiro, afinal, Deus mandou imolar o cordeiro para marcar com o sangue, as casa de seus servos fieis. Não demorou muito para os discípulos entenderem onde estava o cordeiro da páscoa.
Após a morte na cruz, certamente os discípulos lembraram-se do brado de João Batista: “eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. Estas palavras na memória os fez entender que Cristo Jesus é o Cordeiro de Deus e o sangue do seu sacrifício seria derramado uma única vez, porém suficiente para marcar todos quantos se achegarem a Ele, crendo em sua morte vicária, capaz de pagar nossos pecados e nos tornar filhos de Deus.
Jesus é nosso cordeiro pascal. Ele é a nossa “passagem” da escravidão do pecado que produz morte para a liberdade em Cristo que nos dá a vida eterna com Deus.
Cristo é a “passagem” para a vida! Aleluia.
Pr André Luiz Gomes Schröder

sábado, 23 de março de 2013

A VIDA DE APARÊNCIAS

Jesus sentiu fome. Avistando de longe uma figueira com folhas, foi verificar se acharia nela alguma coisa. Aproximando-se, nada achou, senão folhas, pois não era época de figos. 
Então Jesus disse à figueira: Ninguém jamais coma do teu fruto. E seus discípulos ouviram isso. 
Quando passavam na manhã seguinte, viram que a figueira havia secado desde as raízes. Então Pedro, lembrando-se, disse-lhe: Mestre, olha; a figueira que amaldiçoaste secou. (Mc 11.12-14, 20, 21)

Os comentaristas bíblicos ensinam que as folhas das figueiras aparecem em março ou abril e seus frutos em junho. Junto com a folhagem, nova, viçosa, de boa aparência, surgem pequenos nódulos comestíveis, prenúncio da produção dos figos tão apreciados pelo povo do oriente médio e, mesmo após a safra de figo, permanece alguns frutos, mais minguados, entre as folhas que logo cairão com o verão intenso da região árida. 

Pelo relato do Evangelista Marcos, na segunda-feira da semana santa Cristo avistou uma bela figueira, cheia de folhas e se aproximou em busca desses nódulos que são promessas de frutos. Mais que saciar sua fome, o objetivo de Cristo era deixar seu ensinamento. Ele já havia dito que toda árvore que não produz  bom fruto deve ser cortada e lançada ao fogo (Mt 7.19). Ao olhar para a figueira, certamente Cristo não esperava encontrar uma safra abundante, pois ainda não era chegada a hora da colheita, mas ao procurar entre as folhas, Ele não encontrou nem mesmo promessa de frutos.
Deus ensinou a Israel que a figueira simboliza o seu povo e Cristo confirmou esse ensinamento, portanto, assim como Cristo se aproximou da figueira para examinar se havia a mínima promessa de frutos, Ele também se aproxima do seu povo para examinar e ver se há frutos.

Cristo não é injusto para exigir uma safra abundante daqueles que são pequenos e tenros na fé, mas Ele quer que, na medida do nosso crescimento espiritual, possamos dar bons frutos.

Aquela figueira estava cheia de folhas, era bonita e chamava a atenção daqueles que passavam pelo caminho, porém nem mesmo promessa de frutos havia em seus galhos, o que levou Cristo lançar sua condenação sobre aquela figueira. 
Assim como a figueira, o povo de Deus não pode viver de aparências.  Belos e megatemplos, potente aparelhagem de som com abundância de instrumentos musicais, belas vozes que fazem um show que leva o povo ao delírio, obras sociais de causar inveja à Cruz Vermelha, assiduidade a todos os cultos e intermináveis campanhas de jejum, tudo isso pode não ultrapassar a mera aparência. Não há condenação para aparências, mas Deus condena toda aparência sem fruto.

Deus quer que seu povo frutifique,  Ele quer que seu povo multiplique o amor e a justiça derramada sobre seus filhos. Deus quer encontrar entre seus filhos, verdadeiros adoradores, que o adorem em espírito e verdade. Ele quer que possamos semear a sua palavra e também praticá-la, pois Cristo disse: "vocês não podem dar frutos se não permanecerem em mim" (Jo 15.4c) e permanecer em Cristo é praticar tudo que Ele ensinou.

Portanto, não se preocupe com a aparência de santidade, pois Deus não quer encontrar em você apenas aparência, Ele quer encontrar o bom fruto do Espírito Santo.
Pr André Luiz Gomes Schröder