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terça-feira, 31 de março de 2020

ALIMENTO PARA A ALMA

Eu sou o pão da vida. Jo 6:48

A coerência da palavra de Deus é espantosa. Foge à lógica humana o modo como um conjunto de escritos produzidos em eras tão distintas revelam unicidade e coerência em cada detalhe.
Ainda no século XV a.C., Moisés escreveu que ”não só de pão viverá o homem, mas de tudo o que sai da boca do Senhor” (Dt 8:3), ou seja, a palavra que sai de Deus sustenta e dá vida ao homem. O salmista Davi, que viveu no século X a.C., declarou que “a lei do SENHOR é perfeita e restaura a alma” (Sl 19:7), pois é Deus quem “resgata a sua vida da sepultura” (Sl 103:4).  A mensagem de dar vida à alma pela palavra de Deus ecoou pelos séculos e no VIII a.C. Isaías profetizou convidando o povo à salvação, dizendo: “inclinai os ouvidos e vinde a mim; ouvi, e a vossa alma viverá”.
Em um novo capítulo da história do mundo, Cristo Jesus, o filho de Deus, foi apresentado pelo evangelista João como o verbo, a palavra de Deus encarnada e revestida de poder para dar vida eterna aos homens que andavam em trevas, para dar-lhes o “poder de serem feitos filhos de Deus” (Jo 1:12).
Como podemos receber esse poder que nos torna filhos de Deus?
Cristo Jesus cumpriu toda a palavra de Deus, por isso Ele é a palavra de Deus encarnada e com autoridade se apresentou como o pão que desceu do céu, para que não morra quem dele comer (Jo 6:50).  Ele é o pão que nos dá vida, porque todos os seus atos e ensinamentos foram em estrita conformidade com a palavra de Deus a qual tem o poder de restaurar alma.
Se você quer alcançar a vida eterna, incline os ouvidos aos ensinamentos de Cristo Jesus e alimente-se das palavras daquele que é o pão da vida.
Esta verdade é revelada hoje a você “porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. Jo 3:16.

Pr André Schroder

domingo, 11 de julho de 2010

Religião na ótica de Durkheim


Para compreender o conceito de religião formulado por Durkheim, é necessário acompanhar a evolução de seu pensamento sociológico. Durkheim inicialmente estabelece como objeto de estudo a religião, passa a observar as sociedades pequenas e considera que a religião é uma “coisa social”, daí seu objetivo primordial foi “saber qual a religião mais primitiva e a mais simples”, para então entender o que é religião.
A partir da comparação dos sistemas religiosos estudados, Durkheim observa a presença da idéia do sobrenatural, do mistério, do incognoscível, enigmático e incompreensível. Tomado por base esse aspecto, a religião é “uma espécie de especulação sobre tudo o que escapa à ciência e, de maneira geral, ao pensamento claro”, porém Durkheim refuta a idéia da irracionalidade e aponta a religião como um sistema de procedimentos psicológicos, que tem por base o convencimento e a comoção por meio das palavras, seja por oferendas ou sacrifícios, para um ser espiritual, ou seja, “só poderia haver religião onde há preces, sacrifícios, ritos propiciatórios etc.
Ao desenvolver a crítica de seus pensamentos, Durkheim observa que sua hipótese não é válida, pois existe religiões onde o conceito de deuses e seres espirituais está ausente ou ocupa um papel secundário, como no Budismo, assim ele mostra que a religião vai muito além do conceito de divindade e de seres espirituais, logo sua premissa não estava certa.
Daí, Durkheim mostra que religião aproxima-se do conceito de Folclore ao entrelaçar rituais folclóricos anteriores à religião dominante, assim, “uma definição que não levasse isso em conta não compreenderia, portanto, tudo que é religioso”.
Para o autor, o folclore como fenômeno religioso se manifesta em ritos e crenças. As crenças “supõe uma classificação das coisas, reais ou ideais, que os homens concebem, em duas classes” o sagrado e o profano, que são consideradas pelo espírito humano como dois mundos entre os quais nada existe em comum, apesar de existir uma possibilidade de um ser passar (em uma verdadeira metamorfose) de um mundo para o outro, através de ritos de iniciação em um ambiente de dependência recíproca entre o homem e seus deuses, pois sem os homens os deuses morreriam .
No dizer de Durkheim, as “coisas sagradas são aquelas que as proibições protegem e isolam; as coisas profanas, aquelas a que se aplicam essas proibições e que devem permanecer à distância das primeiras”. As crenças religiosas são representações que exprimem a natureza das coisas sagradas e as relações que elas mantêm, seja entre si, seja com as coisas profanas. Enfim, os ritos são regras de conduta que prescrevem como o homem deve comportar-se com as coisas sagradas.”
Para se chegar ao conceito de religião, o autor ainda apresenta uma ordem distinta da religião, que é a magia, vez que esta também tem seus ritos, crenças, mitos e dogmas, mas há uma diferença, a magia não se preocupa com especulações e “a magia tem uma espécie de prazer profissional em profanar as coisas sagradas”, por isso, a religião vê a magia com desagrado e a repele. Diferentemente da magia, a religião tem um tom social decorrente das crenças religiosas que levam à uma necessidade de ligar os homens em uma interação comunidade x comunidade; comunidade x igreja e igreja x igreja, fator essencial para uma continuidade religiosa, o que não acontece na âmbito da magia.
Posto o pensamento de Durkheim, é possível compreender sua definição de religião a partir de uma concepção coletivista, a qual consiste em:“um sistema solidário de crenças e de práticas relativas a coisas sagradas, isto é, separadas, proibidas, crenças e práticas que reúnem numa mesma comunidade moral, chamada igreja, todos aqueles que a elas aderem.”

domingo, 20 de setembro de 2009

O teólogo deve estudar Psicologia?

O objeto de estudo do teólogo não é a divindade em si, mas é o estudo de Deus a partir da sua revelação ou das suas representações nas variadas culturas, o que leva a um estudo sistemático dos fenômenos históricos, sociais, filosóficos, antropológicos e psicológicos das relações entre o sagrado e o profano.
Ante a necessidade de interpretar as manifestações psicológicas que resultam em “comportamento” [logicamente nos referimos a comportamento humano], a psicologia apresenta-se como ciência auxiliar à teologia, dando ao teólogo as ferramentas necessárias à interpretação comportamental.
É sabido que muitos teólogos dedicam-se ao sacerdócio e na condição de líderes espirituais atuam como verdadeiros “psicanalistas”. Aí, para aqueles que buscam na teologia o aperfeiçoamento para o desempenho de suas atividades sacerdotais o instrumental psicanalítico das ciências psicológicas torna-se preponderante para o desempenho da função.
Assim, quer seja para a formação de um cientista teólogo ou de um sacerdote religioso, a psicologia é primordial, pois constitui uma importante vertente do conhecimento requerido.

André Luiz Gomes Schröder

sábado, 19 de setembro de 2009

O limiar entre a fé, revelação e Teologia


Revelação é a comunicação ativa que o homem recebe de Deus sobre a natureza, os atributos e os propósitos divinos. Assim, o homem é sujeito ativo na revelação, pois é necessária a interpretação para compreensão e conseqüente aplicação das verdades divinas ao cotidiano humano.
 A teologia estuda o resultado fático da revelação na vida do homem, fazendo surgir crenças, doutrinas, dogmas ou asserções teológicas. Daí, a revelação dá à teologia o seu objeto de estudo. 
A fé é o fundamento da revelação transcendente de Deus. É por ela que o homem busca a revelação para aplicar a vontade divina ao seu cotidiano e para desvendar o “sentido da vida”. Fé e revelação são interdependentes, porém são institutos distintos, bem como é distinta a teologia, pois a teologia se volta para a interpretação das experiências de fé, decorrentes da busca pela revelação. Daí, a fé e a revelação são por demais importantes para a teologia, pois sem aquelas, esta não subsistiria.

André Luiz Gomes Schröder




Pode haver harmonia entre a fé e a razão?


A fé e a razão podem trilhar o caminho da harmonia pelo diálogo, mas a guerra de acusações de dogmatismo religioso e superstição e contra-ataque acusatório de ateísmo e heresia, causa instabilidade e abalo da fé. A fé deve aliar-se à filosofia para discernir os conteúdos essenciais dos secundários, os alegóricos dos metafísicos, para que se obtenham bases sólidas. Por outro lado, a fé pode proteger a Filosofia contra reduções racionais que chegue a conclusões apressadas, contraditórias e irracionais.

“A fé também não deve fugir das objeções da razão científica, mas deve estar disposta a argumentar. Se realmente busco a verdade, em princípio, devo interessar-me na discussão. Cada postura deve justificar-se perante o fórum crítico da razão”(ZILLES, Urbano. Fé e razão na filosofia e  na ciência. Rev. Trim. Porto Alegre v. 35 Nº 149 Set. 2005 p. 457 – 479. Disponível em: http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/teo/article/view/1697/1230)

André Luiz Gomes Schröder