Vivemos dias em que há uma distorção de valores sem igual precedente. Os conceitos éticos e morais são atacados levianamente e as pessoas passam a ter noções diferentes do que é certo e errado. Este ataque aos valores fere os princípios cultivados pelo cristão que tem por herança uma cultura própria, a cultura do reino de Deus (Rom 12:1,2), pois não somos deste mundo (Jo 17:14) que distorce os valores divinos, mas pertencemos a uma nação santa (I Pe 2:9) que vive uma cultura que se opõe à cultura deste mundo.
Na condição de raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, “já não sois estrangeiros e peregrinos [nesta nação santa], mas concidadãos dos santos, e sois da família de Deus” (Ef 2:19). Assim, não podemos nos esquecer de que o homem recebeu da parte de Deus, um lugar especial na família, inclusive na família de Deus, que é a Igreja do Senhor Jesus Cristo, sabendo que todo privilégio traz consigo um número ainda maior de responsabilidades e deveres, os quais devem ser exercidos com base na Escritura, a qual “é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra (2Tm 3:16,17).
A Igreja é edificada sobre fundamentos e princípios bíblicos eternos, mas em razão das mudanças sociais, o homem cristão tem sofrido, cada vez mais, pressões para ser conforme a sociedade mundana. Entretanto, devemos perquirir e esquadrinhar, nas escrituras, como deve ser exercida a liderança eclesiástica e quais os princípios, dons e atitudes que o homem cristão deve cultivar para alcançar o alvo que lhe é proposto, sabendo que .é preciso ser fiel até a morte para conquistar a coroa da vida (Ap 2:10).
Em 1 Coríntios 16:14, o apóstolo Paulo adverte: sejam “vigilantes, permanecei firmes na fé, portai-vos varonilmente, fortalecei-vos. Todos os vossos atos sejam feitos com amor.” Portanto, vemos que, embora não seja fácil, o homem, primeiramente, deve permanecer firme na sua fé, que tem o vínculo do amor. Não importam as tentações, pressões e exigências feitas pela sociedade de forma geral. Tudo o que importa, no final, é permanecer no exercício da fé, vivendo os ensinamentos de Cristo Jesus.
Ao viver pela fé, o homem cristão deve ser exemplar em todos os campos da sua vida, a fim de servir corretamente na casa de Deus, como discipulador, em cumprimento à ordem de Cristo Jesus (Mat 28:19,20), sabendo que cada cristão deve ser “o exemplo dos fiéis, na palavra, no trato, no amor, no espírito, na fé, na pureza” (I Tim 4:12).
Todos os estudiosos da Bíblia sabem que o Novo Testamento não defende uma casta clerical hierarquizada na igreja, mas aponta para o exercício de uma liderança de dedicação ao Corpo de Cristo, que deve ser exercida por todos, por meio de uma vida de serviço e de exemplo para com seu irmão. Assim, devemos compreender que há um chamamento a todos que exercem liderança, independentemente da amplitude dessa liderança, para que “seja irrepreensível, esposo de uma só mulher, temperante, sóbrio, modesto, hospitaleiro, apto para ensinar; não dado ao vinho, não violento, porém cordato, inimigo de contendas, não avarento; e que governe bem a sua própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito (pois, se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja de Deus?); não seja neófito, para não suceder que se ensoberbeça e incorra na condenação do diabo. Pelo contrário, é necessário que ele tenha bom testemunho dos de fora, a fim de não cair no opróbrio e no laço do diabo” (1 Tm 3:2-7).
Rogamos a Deus que seja despertada em cada homem a consciência do dever discipulador e de liderança dos discipulados, para que sejamos “santuário dedicado ao Senhor” (Ef 2:21).
Pr André Schroder
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